PROCAD

PROGRAMA NACIONAL DE COOPERAÇÃO ACADÊMICA NA AMAZÔNIA n° 21/2018

Aprovação do Projeto “Indicadores antrópicos: fatores socioambientais e patrimoniais na tradução de índices de antropização em povos e comunidades amazônicas”

24/09/2018 12:24

Prezados (as) discentes e docentes,

A Pós-Graduação em Estudos da Tradução tem o prazer de informar a aprovação do projeto “Indicadores antrópicos: fatores socioambientais e patrimoniais na tradução de índices de antropização em povos e comunidades amazônicas”, no âmbito do edital do Programa Nacional de Cooperação Acadêmica na Amazônia (PROCAD/CAPES-Amazônia). Esse projeto nasce da parceria entre a Pós-graduação em Estudos da Tradução da Universidade Federal de Santa Catarina, a Pós-graduação em Estudos Antrópicos na Amazônia da Universidade Federal do Pará e a Pós-graduação em Ciências Humanas, da Universidade do Estado do Amazonas.

O projeto tem por objetivo a produção de índice da presença e transformação humanas, em seus territórios e ambientes, que considere práticas e valores autóctones de povos e comunidades amazônicas na compreensão de sustentabilidade e de bom viver/bem-estar da população regional, em vista de contatos culturais e possíveis impactos socioambientais. Por isso a perspectiva intercultural e interdisciplinar deste projeto, que implica na necessidade de enfoque que releve identidades, patrimônios e hegemonias culturais e suas possíveis (inter) traduções, o que solicita o apoio de disciplinas da antropologia e arqueologia, dos estudos da tradução e interpretação, da narratologia e análise do discurso, das ciências biológicas e ambientais, da computação e ciências da informação. A questão central é: “como os valores e as práticas de povos e comunidades autóctones e alóctones, em contato na Amazônia, podem contribuir para a compreensão da sustentabilidade e para a reversão de impactos socioambientais e culturais gerados por estes encontros?”.

Para tanto, nossa hipótese é que a construção de indicador, e seus índices, produzido a partir de aspectos quali-quantitativos seja a possibilidade de inclusão de variados aspectos das populações amazônicas, estabelecendo-se um indicador intercultural preocupado em demonstrar, explicar e instruir mediante práticas etnográficas e tradutórias, citando, adaptando e anexando textos e sujeitos em ação. Porque a maioria dos indicadores humanos estão pautados em números e estatísticas, como o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), que privilegia dados de educação, longevidade e renda; mesmo os indicadores ambientais nacionais, do Ministério do Meio Ambiente brasileiro, estão preocupados com informações quantificadas: “Indicadores ambientais são estatísticas selecionadas que representam ou resumem alguns aspectos do estado do meio ambiente, dos recursos naturais e de atividades humanas relacionadas” (In: http://www.mma.gov.br/informacoes-am…/indicadores-ambientais).

Essa discrepância entre a efetiva prática de comunidades e os indicadores nacionais, estes por sua natureza abstratos e universais, têm levado a incompreensões do que seja a sustentabilidade e impactos socioambientais, seja do lado nacional, seja do lado local, por isso a necessidade de pesquisa colaborativa entre autóctones e pesquisadores acadêmicos, interagindo-se os conhecimentos científicos e os saberes locais para determinar os fatores humanos, patrimoniais e ambientais relacionados às diversas concepções de antropização, e as ações de exploração, construção e planejamento, que implicam em dois extremos: vulnerabilidade ou sustentabilidade humana e ambiental. Este é um problema complexo e da modernidade, provocado pela globalização e colonização de saberes e práticas, sendo que somente a interdisciplinaridade minimamente poderá dar respostas plausíveis a um caminho de possível solução.